Enquanto esperava que as borras do café turco assentassem no fundo da chávena, Mustafa Serter, sentado numa mesa ao lado, olhava para mim pensativo.
«Espanhol, Italiano?», pergunta. «Não, sou português.»
Adivinhava o que vinha seguir. Aconteceu em todos os países do Médio Oriente ou Ásia por onde passei. Por aqui, Portugal é sinónimo de futebol, nada de fado e muito menos de Fátima. Vai falar do Figo, do Ronaldo.
«Rui Costa, grande jogador. Ele ainda joga? Vamos ter de o marcar forte no Euro.»
Perante a minha surpresa, Mustafa explica.
«O seleccionador da Turquia, Fatih Terim, treinou o Rui Costa na Fiorentina e depois levou-o para o Milan. Ele é muito conhecido aqui. Via todos os jogos pela televisão, era o maestro da equipa.»
Como o mundo é pequeno! Num café ao acaso na pequena vila de Pamukkalle, na Anatólia Central, perto de nada e longe de tudo, este homem vem falar-me de Rui Costa, o maestro. A música e o futebol têm mesmo uma linguagem universal! Respondo: «Ele agora joga no Benfica, mas já deixou a selecção.»
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